Blog de Lou Tzu

Se o homem é aquilo que pensa, melhor não pensar.


Lou Mello inicia novo projeto em blog
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Depois da Gruta, Lou Mello inaugura novo projeto, segundo ele, uma segunda fase em sua caminhada pela blogosfera, notadamente na área dos blogs com ênfase religiosa. O novo projeto é:


Caverna do Lou
Caminhando inseguros para o céu

O domínio definitivo será www,cavernadolou.com, em fase de registro. O atual é provisório.

Lou Tzu
 


Jesus te ama?
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Esse cumprimento sempre me incomodou. O cara nunca me viu, não sabe nada a meu respeito e me diz: Jesus te ama. Isso me lembra o cretino do Roberto Jakob, depois de me despedir da Missão, na presença do Dale Kietzman e do Haroldo Silva me disse: Nós te amamos. Não aguentei aquilo e retruquei: É, vocês têm um jeito estranho de amar.

Muito provavelmente foi isso que minhas vítimas pensaram quando lhes disse: Jesus te ama. Não disse muitas vezes, mas devo ter dito algumas. Sou mais aquela do Manning, colocando-se na pele do Criador e perguntando: Você crê que eu te amo?  Pelo menos dou a chance do infeliz me dizer: não ou mentir e dizer sim. Claro, sempre pode haver alguma exceção e ser você. Nunca saberemos.

Se Jesus ama, quase todo mundo ficaria com aquele ponto de interrogação na cabeça, enquanto a retrospectiva da Globo vai passando na mente com todas aquelas misérias do ano. Pior, alguns, como eu, começam a lembrar as próprias infâmias e desventuras. Ele não seria tolo de dizer ou perguntar isso a quem quer que seja. Atualmente, ele deve andar por aí de óculos escuro e boné para não ser reconhecido, tal a vergonha. Vergonha do ser que o Pai dele criou, vergonha do que fizeram com as coisas criadas e vergonha de ter realizado aquele tresloucado ato na cruz e constatar que aquilo virou objeto de mercado nas mãos de um monte de gente sem escrúpulos.

Tem aqueles caras com o boi na sombra, mas com discurso todo comunista ou holístico, como certos pastores de igrejas ricas lá no morro do Morumbí,  em tendas na Zona Oeste ou aquele lá de .Saddleback Valley. Não descansarei enquanto não vê-los colocar substância em seus sermões e textos que se espalham internet a fora, devidamente replicados por seres não pensantes. Tudo bem, querem fazer debatizinhos sobre  A Cabana ou ser orador na posse do Obama? Façam isso sem se omitir nas causas envolvendo os cristãos maltrapilhos, mundo afora. Adoraria ver um deles vindo me dizer: Jesus te ama, meu irmão!

É estranho porque sou um tremendo hipócrita. Se você não acredita, apareça aqui quando minha sogra ou minha mãe estiverem, sem falar quando estou reunido com gente igrejeira. Mas até para ser hipócrita tem que haver um certo limite. Sempre tem gente me dizendo que invejo esses caras, que gostaria de participar do debate e até ser o orador na posse do presidente, nem que fosse da Escola de Samba da Gaviões da Fiel. Claro que invejo. Invejaria quem, você? Respondo a eles. Não quero derrubar os figurões, nem Jesus o fez. Quero ver esses ratos de púlpitos de acrílico metendo a mão na massa e o pé na lama. Sim, porque onde tem miséria tem barro.

Sim, Jesus me ama, ama tanta que torce por mim. Diz a todo mundo que ainda tem esperança em meu sucesso nessa vida. Minha família e meus amigos ficam pasmos com isso, porque nem eles acreditam mais. E assim estão milhões nesse mundo, desacreditados pelos seus mais próximos, quando não foram abandonados. Ah! Mas Jesus ama a todos eles, não importa como se sintam. Se esse é o amor de Deus, ou se fosse, ninguém o quereria. O que nos mantém nesse barco é o sacríficio vicário, se bem que temos todos sérias desconfianças, mesmo sem admitir publicamente.

Enfim, não resta nada a não ser perguntar-lhe: Você crê que Jesus te ama?


Já voltei, mais Lou Tzu agora.
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Vamos daqui. Cansei de tentar ser deus. Quero experimentar ser eu mesmo.
Espero não ser descoberto, logo, pelas assombrações da Gruta. A idéia é soltar o Lou Tzu e deixá-lo seguir como quer o vento.
Viver sob simbolos nos obriga à fidelidade. Nem sempre quero ser fiel, exceto onde a fidelidade é imprescindível. Às vezes, acho meu time fraco, mal dirigido e merecedor de uma boa sapecada. Não quero ser membro de nenhuma igreja ou religião. Quero concordar quando estiver de acordo e discordar quando não concordar. Adoro estudar teologia, mas detesto ser dirigido por ela. Deus sempre terá o privilégio, se não se meter a Deus.
Se tenho alguma virtude, sem dúvida são os meus paradoxos, as minhas ambiquidades. Gosto do curso do rio, mesmo quando ele teimosamente resolve passar no meio da cidade. Por mim, mandava tirar a cidade de lá.
Gosto de Allan Watts em Tao o curso do rio:

"Se não pode confiar na natureza e nas outras pessoas, você não pode confiar em si mesmo, não pode confiar nem mesmo na sua desconfiança de si mesmo - de tal forma que, sem esta confiança subjacente a todo o sistema da natureza, você está, simplesmente, paralisado. Assim, Lao-tzu faz com que o sábio fale, como governante:
Não interfiro e o povo se reforma.
Usufruo a paz e o povo torna-se honesto.
Não uso a força e o povo torna-se rico.
Não tenho ambições e o povo retorna à vida boa e simples."

Tinha esse blog desde 2007, quando a Soninha foi à Alemanha e ajudou a escolher um blog movido pelo Livejournal como o melhor do mundo. Ele funciona bem com textos e fotos. Para mim é ideal. Tem um monte de recursos para fuçar e descobrir como funciona. Será uma farra.

A Arte de Recuperar
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Depois de tantos anos trabalhando em recuperação de dependentes químicos, posso dizer que vi muitas coisas. De saída, continuamos a discutir a redução de danos X a tolerância zero, duas formas de encarar o processo de recuperação. Também assisti a muitos debates sobre tratamento medicamentoso ou sem a ajuda de medicamentos e assisti ao lob dos psiquiatras e psicólogos com a finalidade de assumir o comando dessa atividade. Recentemente (dez anos, no máximo) estamos assistindo às novas formas de inicio de trabalho com a vinda da chamada internação involuntária ou resgate.

Em todas essas escaramuças e propostas, há muitos pontos interessantes e positivos. O importante é não parar o desenvolvimento. Infelizmente, a oferta de drogas e álcool  avança em ritmo frenético e a contrapartida de tratamento aos dependentes tem caminhado a reboque.

Nossa intenção é abordar cada uma desses temas e outros criando aqui uma espécie de fórum da recuperação e muita informação.

A Arte de Recuperar é uma atividade cujo propósito e missão é dar esperança aos familiares dos dependentes químicos ao mostrar-lhes um caminho para salvar seus queridos das garras desses males.

Escolhi o nome A Arte de Recuperar inspirado no livro A Arte de Amar de Erich Fromm e por considerar a atividade de recuperação dos dependentes uma arte, muito mais do que um simples domínio de alguma ciência ou religião, embora todos contribuam consideravelmente.

Esse blog estava meio marginalizado e agora creio ter encontrado um destino digno para ele. O Livejournal é uma ótima opção para blogs, mas os brasileiros não tem desfrutado dele, utilizando mais o Blogger e o WordPress. Assim, prestaremos mais um serviço à comunidade. Espero que gostem.

Contato: recuperar@lhmbrasil.com.br 



Ao sabor do vento
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Por que não? Deixar-se levar, quem sabe não é a resposta. Afinal, os sinais estão por toda parte.
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Toque-toque-pequeno
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Essa é a minha praia!

Faça o mesmo
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Dias atrás, estava voltando de São Paulo no meu inseparável Scania da Cometa e como era noite e não tinha nada melhor a fazer, encostei minha cabeça na poltrona e devo ter adormecido.

Jesus de Nazaré voltava de uma de suas intermináveis caminhadas e encontrou Martin Luther King sentado próximos a uns barcos. Algumas pessoas estavam à sua volta e ouviam-no discursar com veemência: “Eu tenho um sonho...”. Mais adiante, estava Gandhi, andando para lá e para cá, discursando a outro grupo, todos vestidos com túnica de tecido feito em casa e ele dizia: “É preciso resistir pacificamente...”. Pouco mais à frente, sentado junto à mesa de um quiosque estava Dostoievski repetindo a história do Grande Inquisitor, tendo Tolstoy a seu lado e cabisbaixo. O Mestre parou e olhou em minha direção, come se estivesse requisitando minha presença. Caminhei em sua direção a passos largos e detive-me à sua frente. Então me perguntou: O que me diz desses homens? Respondi: São grandes homens. Ele retrucou, vá e faça o mesmo.

Senti algo tremendo em meu bolso. A primeira coisa que pensei foi em um rato. Rato no bolso da camisa? Não pode ser. Aí uma voz ridícula começou a gritar: Aloou, aloou. Ah! Já sei, é o celular. Esse maldito sai de fábrica gritando meu nome. Como eles sabiam, não faço nenhuma idéia. Enfim atendi. Era a Dedé que foi logo perguntando se eu estava dormindo. Confirmei.

Já havia esquecido do sonho no ônibus. Quando sentei para escrever hoje e lembrei, então.

João morrerá
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Enquanto caminhávamos, ouvimos vozes exaltadas e o povo alvoroçado. Algo havia acontecido. Percebi certa inquietação no Mestre. Ele parou  e apoio-se em uma árvore. Seu olhar estava distante. Resolvi caminhar até um grupo de homens a uns cem passos de distância. Cumprimentei-os e perguntei se havia acontecido algo significativo. As palavras foram duras. Segundo eles, Herodes havia ordenado a prisão de João Batista.

 Voltei ao Mestre. Antes de qualquer anúncio, ele me disse. “Essa prisão levará João ao fim de seus dias.” Fiquei mudo. Retomamos nossa viagem, nosso destino era a Galiléia.


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